20 de abril de 2008

FRESTAS NA JANELA



Uma corrente de ar gélido e ao mesmo tempo quente percorre o meu peito quando penso em ti. Pensar em ti corrói minha alma assim como as águas do mar que batem nas pedras da enseada fazem-nas dissolver. Fico aqui pensando, simplesmente; num momento distante onde toco levemente nossos lábios, com os olhos vendados pelo momento e a boca entreaberta pelo prazer. Nossos corpos a se tocar numa leveza de pluma ao vento, porém queimando parte em parte com o calor de mil sóis. Gestos simples como espantar levemente seus cabelos de seu rosto com minha mão, para fazê-la deleitar em sua palma torna-se sentimento complexo e sem tamanho.
Vejo a ti; sem palavras - não são necessárias, nossos olhos nos dizem tudo.
Exalamos desejo e palavras sem nem ao menos dizer alguma coisa. Contorno cada curva de teu corpo com meus lábios.
Entregamo-nos um ao outro em suspiros e delírios enquanto a noite cai e a lua escorre por entre as frestas da janela.


- Vinicius Neves
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