30 de setembro de 2011

A CAIXA DE MUSICA


Ela abriu a velha e empoeirada caixa de musica e uma musica de poucas notas começou a tocar.
Ali havia o depósito de anos de carinho.
Aonde deveria ter uma bailarina girando havia apenas um espelho, era para ela se lembrar do reflexo da criança que vinha retirar todos os dias um pouco de esperança daquela musica calma de melodia aguda.
O tempo não permitiu que ela abrisse aquela caixa durante muito tempo e o que olhava agora era para um rosto triste, cansado e preocupado.
Aonde estava aquela criança que queria tomar o mundo num grande abraço e transformar todo tipo de dor em sorriso?
O tempo rouba nossa juventude e faz apagarmos nosso amor.
Por um momento seu rosto mudou e era como se visse novamente seu rosto de criança. A criança olhou brava para ela, como se esperasse alguma atitude que ainda não havia sido tomada. Ela se desculpou com o espelho, percebeu o que estava perdendo e prometeu mudanças a antigas memórias.
Musica calma que acalenta o coração.
A bailarina de plástico nunca fez falta ali desde que havia sumido, porque a bailarina de verdade era ela mesma, dançando por entre palcos de peças de alegrias e tristezas.
Alegrias que passam rápido demais para que possamos nos agarrar nelas. Diferente das preocupações.
Tristezas que vão se acumulando dentro do peito sufocando os pulmões e atrofiando os passos de sua dança.
Bailarina que nunca mais dançou feliz, não se sabe ao certo porque.
Ah, bailarina feliz, sobra tanta falta de você.


- Vinicius Neves

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