29 de fevereiro de 2012

PÁSSARO NEGRO CANTANDO NA MORTE DA NOITE


O Melro voava muito rápido no céu escuro da noite, ele não conseguia ouvir nada além do vento batendo em suas asas - fazendo com que ele se sentisse verdadeiramente livre.
Entre loopings e rasantes ele ria de sua recém conquistada felicidade, aquilo que ele esperou durante toda sua vida estava agora sendo destilado entre suas penas.
Rindo como nunca havia rido, brincando com as nuvens, ele cantava muito alto e fazia todo o céu se calar:

"Eu trago a felicidade acima de minha cabeça
Foi essa a Palavra que me trouxe a Estrela
Hoje vivo tudo aquilo que sempre sonhei
Nunca mais vou fugir do meu destino, nunca mais desviarei

Abaixo de mim tenho o mundo que não me entende
Errei minha vida inteira, agora posso ser transparente
Renego todas minhas falhas para viver um novo propósito
Para viver além de mim, resgatar vidas, fazer novo negócio

O amor divino resplandece em meu vôo
O amor provido do divino me aceitou como sou
Sob os olhares atenciosos da minha promessa, fiz nova casa
Enquanto puder provar dessa felicidade, não preciso de mais nada!"

As trevas se calavam, pois não podiam mais arquitetar contra aquele pássaro renovado.
Embora a coloração negra de suas penas devesse deixá-lo passar quase despercebido no céu, era exatamente o contrário que acontecia: cada pena reluzia de forma que o Melro levava luz aonde as trevas insistiam em se acomodar. E elas eram obrigadas a fugir.

Era a sua força que o iluminara? Não. Fora sua decisão de não se render e de manter no coração o amor que tinha pela Estrela da Manhã que o faziam mais forte, mais iluminado, mais vivo.

Tinha valido muito a pena esperar, alguns dizem que foi sorte
Mas aquele coração que antes só apanhava, hoje bate forte.


- Vinicius Neves
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