4 de setembro de 2012

A COISA MAIS CONTAGIOSA DO MUNDO


Naquele dia no metrô, estava eu prestes a ser sufocado, apertado, e obviamente ignorado pela maioria das pessoas. Nos transportes públicos de São Paulo é assim: cada um prefere se preocupar com seus limitados centímetros cúbicos ao querer se deparar com a vida dos outros, é claro.

Já tinha lido a respeito que o espaçamento adequando entre duas pessoas é de aproximadamente um metro, para não termos a sensação de que nosso espaço particular e íntimo não esteja sendo violado por terceiros. É por isso que quando se entra no elevador, por exemplo, as pessoas vão se amontoando nos cantos. Não é para dar passagem para ninguém, é para ficar o mais longe possível da outra.
Esse é um dos motivos do porque as pessoas se irritam tanto em trens e metrôs lotados, o espaço particular e íntimo se torna público e violado. Instintivamente as pessoas se sentem acuadas, o que causa essa ansiedade.
Pois bem, não vim aqui para ser psicólogo de elevador. Vim contar uma história!

Como dizia, estava eu prestes a ser sufocado, apertado e obviamente ignorado em mais uma noite de metrô lotado, saindo da Barra Funda, sentido Corinthians-Itaquera. Estava na plataforma aguardando o próximo trem, lendo um livro interessantíssimo de Augusto Cury. Um homem do meu lado, com seus quarenta e tantos anos já estava estressado com o empurra-empurra da fila, claramente de mau-humor. Ele me viu lendo o livro e avisou:

- Quando a porta do trem abrir, você não vai mais conseguir ler esse seu livro.

Olhei para ele com um grande sorriso e disse: mas é claro que vou! Dá-se um jeito nisso!

O trem chegou. A fila apertou. Vagão lotou. Lugar nenhum restou.

Apertado, quase sem ar, segurei como pude o livro a poucos centímetros do rosto e continuei minha leitura com um grande sorriso no rosto, era realmente muito interessante o livro.

Aquele mesmo homem ficou me observando e disse:

- Esse livro desse ser bom mesmo, para você ainda querer lê-lo apertado desse jeito e com um sorriso desse no rosto. Isso aqui é o inferno, com esse bando de gente mal educada e esses vagões sem espaço.

Olhei mais uma vez para ele com um sorriso maior ainda e respondi:

- O livro é bom sim, mas eu não posso perder o meu humor por causa disso aqui. Realmente é caótica a situação dos transportes públicos na nossa cidade, mas de que adiantaria me estressar com isso? Me irritar e me estressar não vai mudar o fato de que estou apertado aqui, e além disso estragaria o belo dia que tive. Tenho que pegar metrô quase todos os dias, vou me privar de ler um bom livro por causa disso? Vou perder a minha compostura por causa disso? Claro que não! É muito melhor seguir sorrindo e aproveitar o meu dia, eu não posso perder tempo com coisas inúteis como o mau-humor.
Quando saio de casa tenho duas escolhas: a primeira é me irritar com problemas que eu sei que vão aparecer e nesse caso, que nada poderei fazer para dribla-lo. Ou então enfrento tudo tranquilo, não deixando de aproveitar as coisas boas que passam no meu caminho.

O homem me olhou surpreso. Disse que realmente essa era uma boa forma de lidar com esses tipos de problemas, parou com aquela expressão irritadiça e seguiu seu caminho inteiro sorrindo.


- Vinicius Neves
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