3 de dezembro de 2012

OS RASGOS DA ALMA


Pobre poeta moribundo que quer se alimentar de alma
Essa sua alma te trai quase todos os dias e você insiste em se apegar a ela
O espírito é forte, porém está cansado e o corpo já não tem vontade de se mover
Transformado sejam esses seus olhos que insistem em contemplar a escuridão em sua frente
O brilho nos olhos desaparece depois que as trevas da decepção o amordacem

Todos os dias acorda pensando em desistir de escrever, desistir de sonhar, desistir que acreditar que um dia seu coração alcance os sonhos que tanto almeja encontrar

É necessário ir embora, é necessário sair do comodismo, é necessário sumir da vista
Eis que vem chegando o tempo em que talvez as pessoas sintam falta do poeta que tanto tentou tocar suas almas, tomar a escuridão de cada um, nem que para isso precisasse se encher dela

Gritos da alma que ecoam pelo coração
A solidão é necessária, se reinventar na reclusão
Os olhos que vão secando e se transformando em terra seca
Onde nada pode florescer, a vida se ausenta

O poeta nunca esquece
E que fardo terrível é esse!
É uma maldição que não desejaria para ninguém
Que olhe sempre para o coração
Sem nunca olhar a quem

Por favor, não tente entender
Perderia anos de sua vida sem saber
O como, onde e porque de minha confusão
É um crime para mim mesmo sem conclusão

No porão da minha alma onde tudo o que guardo a rasga por dentro querendo escapar
Eu luto ao máximo e mostro para todos um belo sorriso tranquilo que esconde um destino vulgar.


- Vinicius Neves
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