13 de junho de 2013

CAFÉ DOS DIAS FRIOS


Ele pediu um café.
Pediu por vontade, necessidade, por vício.
Essas manhãs frias pedem algo que esquente o corpo; o ideal é sempre um café fresco por dentro e um amor quente por fora.
Queimou um pouco a ponta da língua e a ponta dos dedos. Ainda não estava bom para tomar.

O vento soprava lá fora carregando dezenas de folhas do outono. Uma parte sua também era varrida, e ele não sabia dizer qual.

O preto do café, o cinza das ruas, o branco do céu; parece que tudo faz parte da escala de cores de sua realidade. Um sorriso amarelo, as bochechas rosadas e os olhos vermelhos.

Muito açúcar para compensar a falta de doçura dos seus dias. O mundo tornara-se odioso e já não esbanjava a alegria e beleza de outrora. A descoberta da verdade por trás dos seres que povoavam esse planeta o atormentavam junto com o perdido pedido de tomar uma bebida quente anos atrás. Os olhos cansados, os pés vacilantes e o sono que insistiam em fadigar eram a prova disso.

O que há de se fazer? O dia, o mundo, e os olhos não vão mudar de uma hora pra outra.

- Mais café, por favor!


- Vinicius Neves
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