10 de fevereiro de 2014

UM DIA TUDO MUDA


Um dia tudo muda.
Você olha para trás e vê quantas pessoas já passaram em seu caminho e vê que poucas vão se mantendo intactas ao seu lado.

Lembra que aquelas risadas que foram tão valiosas vão ficando cada vez mais no esquecimento, e a indiferença vai ganhando lugar cada vez maior no peito, limpando os restos que ainda restam de amigos, parentes e amores - que um dia tiveram um lugar garantido - agora são varridos para fora. Deixar a casa limpa para novos dias, novas pessoas.

Alguns são tomados de nós, outros vão embora sorrateiramente, e há aqueles que expulsamos. Cansados das más decisões, da falta de interesse, ou simplesmente da superficialidade que o relacionamento era baseado - e relacionamento pode ser tanta coisa, desde da pessoa que você divide uma vida, pensamentos e esperanças; ao garçom conhecido que perdeu a paciência de servir, de entreter, de conversar.

A maioria das pessoas investe tudo o que pode para evitar os conflitos: tempo, dinheiro, atenção... mas qualquer ligação com terceiros está fadado a se manter numa rota de colisão que pode ser suave ou pode ser devastadora. Tudo depende do interesse em diminuir a velocidade desse rompimento.

Alguns ainda se mantém guardados. Tem um baú no fundo do peito que espreme as pessoas que ainda tem alguma importância em nossa vida. Daquele tipo de pessoa que você encontra por acaso na rua, abre um sorriso e promete "vamos marcar algo qualquer dia". E nunca marcamos nada. Por algum motivo o sentimento não é maior do que a estagnação de seguir a própria vida sem o outro. E está bom assim.
O tempo é inexorável, ele leva e traz, carrega e naufraga, nos traga e acorrenta.

Embora seja ótimo afirmar que durante quase toda nossa vida sempre haverá as preciosidades que lutarão ao nosso lado até que um de nós dê seu último suspiro... um dia tudo muda.
Se não mudou ainda, é porque esse dia ainda não chegou.


- Vinicius Neves
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