15 de junho de 2015

UNIVERSO DE VIDRO


Mais uma semana se passa, e o tempo vai permitindo que a alma amadureça um pouco mais. Tome a forma que deveria tomar, encontre os pensamentos que almejava alcançar mas que não encontrava as vias de acesso para tal. Num lapso de segundo, numa metamorfose que chega a seu ápice, desencadeamos aquilo que é mais precioso em nós.

Para cada um é algo diferente, mas para todos há algo em comum: o tempo, a paciência e a aceitação.
Quanto mais faltar em um desses itens, mais precisará de mais do outro.

Somos como aquelas obras de arte feitas em vidro, que precisam ser esquentadas a centenas de graus Celsius para então ser moldada - mas são mudanças rústicas, ainda sem formato específico; com o passar do tempo ela se esfria sozinha e os detalhes podem ser feitos.
Ela não pode ser resfriada de outra forma; acelerar seu processo de resfriamento estragaria a peça por completo. Utilizar o vento deformaria suas curvas, a encheria de bolhas e impurezas, enquanto o resfriamento em água a destruiria totalmente.

Só com algum tempo de espera ela se resfria sozinha e daí então os detalhes podem ser alcançados, as formas ficam mais belas e arte pode ser enfim contemplada como algo puro, transparente, desprovida de imperfeições.
É algo que, sim, pode ser frágil e passageiro. Mas tudo depende de onde colocamos essa peça. Se for tratada com cuidado e carinho, manterá sua forma para sempre. O vidro não se degrada.

Tentamos conquistar o universo ao tentar observá-lo mais de perto, quando muitas vezes o que precisamos é um pouco mais das pequenas coisas que existem ao nosso redor - e que não prestamos atenção.

Nas diversas reflexões e divagações dos últimos tempos, algumas epifanias tem estourado na minha mente como supernovas em uma escuridão sem fim de um novo cosmos.

Compreendo mais ainda que a aceitação dos fatos, não é apenas uma forma de ver as situações de uma forma madura e consciente. É extremamente necessária porque nos permite enxergar os problemas além do emocional que fazem perder a linha do raciocínio, e encontra conforto no descontrole que não cabe a nós querer comandar.
Também compreendi que muitas vezes desistir de algo é a atitude mais corajosa que podemos ter.

Há um bem maior nisso, um "quê" de profundidade que transcede as informações que coletamos ao longo de nossas vidas, e dos ensinamentos que adquirimos dos mais velhos e experientes: tudo está em completa mudança, em completa transição, e muitas vezes nós não podemos fazer absolutamente nada para mudar isso.

Queremos consertar coisas que não estão quebradas, ajeitar pessoas que não precisam de ajustes, controlar sentimentos, situações e momentos que não precisam de mais do que a nossa simples observação. Podemos aceitar ou não o fato de que no final das contas não somos muito mais do que isso, e que podemos apenas decidir se faremos ou não parte dessas histórias.

Há mais de 400 anos, a humanidade foi apresentada ao telescópio - e uma nova forma de ver tudo o que estava distante de nós apareceu. Hoje, aquele telescópio que encantou gênios de sua época já foi aprimorado dezenas de vezes e continuará a ser melhorado cada vez mais, para enxergamos cada vez mais longe.

Porém, jamais inventaram algo para observar melhor as profundezas do nosso Eu como nós mesmos. E nem inventarão. Somos um pequeno infinito que carece de mais atenção consigo mesmo e com outros pequenos infinitos; tendo sempre em mente que somos melhores quando aceitamos a vida como ela é.

Se os planetas, constelações e galáxias pudessem falar conosco e da nossa louca obsessão em assisti-los; talvez nos dissessem o quão pequeno são perto daquilo que é realmente importante em nossas vidas.


- Vinicius Neves
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