28 de junho de 2015

AS PALAVRAS QUE ANTECEDEM AS ONDAS



Como as pegadas apagadas na areia por qualquer outra força maior... frágeis são os registros que em breve não farão mais falta
Como o som ilusório de um oceano gigantesco dentro de uma relez concha
O beijo se perdeu em meio aos muitos caminhos das possibilidades como um eclipse que deixou de se concretizar, perdendo seu momento de poesia

Uma verdade mal contada, uma mentira lavada
O desejo de ser uma fantasia se tornar realidade e mais nada

As doses mais generosas não aplacam, nem as fumaças mais densas enebriam
Os pensamentos que nunca serão - mas que sonham no que seriam
As outras são só as outras: sombras, reflexos, nêmeses de quem abusa
Do sol que queima e apaga quando quer, água que refresca se quiser, indesejada musa

No meio dos loucos provo de minhas proprias tolices
Consequências dos dias livres
Não há reclamação, nem sequer apelo
As coisas são como são, mas só as reparamos quando não nos trazem sossego

Sem titubear as decisões - pois mesmo nas quedas são belas e inspiradoras para mim
Reflexos de duas vias de possibilidades que se repetem sem fim

Foi como o vento ou como a brisa que sopra em nosso rosto
Arrepio da pele que deixa nosso frio exposto
Sem saber seu rumo, é invisível como o vazio e talvez sem maldade
Trouxe de presente uma lembrança que nunca existiu, nem existirá - mas que já deixou rastros de saudade.


- Vinicius Neves
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