5 de outubro de 2015

DUALIDADES DE UM SONHO


O tom de sua voz hipnotiza meus sentidos
Não há sentido sem suas palavras
Ecoam pelas cavernas dos ouvidos e se perdem na imensidão dos pensamentos

A luta em relutar tua presença aflige cada célula de minha pele
Transborda meu transcender entre surpresas e mistérios
Sentimentos que refuto, mas que ousam me empurrar de volta contra a parede

Incendeia minha fé - essa, querida companheira de estrada, bendita e mal cuidada, tão limpa e mal lavada
Entre as encruzilhadas de tuas duvidas, ouso plantar um pedaço meu
Um dia, talvez, veja o sol e tenha coragem de sair da semente e abandonar o breu

Enquanto isso, vou flutuando fora dessa órbita
Descansando em minha própria imaginação conturbada
Pensando em como odeio amar minha amada

Nessa dualidade duelo
Entre as correntes da masmorra e os portões do castelo

Quando baixa a maré de teus pensamentos tempestuosos nas areias da praia do seu sossego
As conchas que ali ficam são as palavras que joguei ao mar para que se acalmasse, cada um dos meus desejos

Pudera, então, ser minha
Tomá-la em meus braços
Arrancar os teus laços
E me tornar em ti tudo aquilo que sonhou um dia.


- Vinicius Neves
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