18 de maio de 2016

ESCADARIA PARA O PARAÍSO


Quando o relógio trai o tempo
Um filho largado no mundo, só mais um rebento
Quando a luz do sol queima a alma
E os dias são como um balde d'água

A relatividade pode ser cruel
Desfigurada e bela como um conto de cordel

Na ânsia de perder por aí aquilo que sempre encontro em mim
As horas deixam de ser amigas, os minutos parecem um looping sem fim

A garganta que fica seca e se decepciona com cada gole que desce amargo
Porque nem sempre o que é doce parece ter-me sido direcionado

Há uma ironia no universo que cultivo
Na imensa escuridão que parece não haver um ser vivo

São cerrados de constelações, dunas de galáxias
Cada uma girando em sua própria cantiga de audácia
Planetas e estrelas que não passam de grãos de areia
Mundos congelados ao redor de algum astro que se incendeia

Condenado a andar por esses caminhos, crente que ainda não se convenceu

A fim de buscar nessa infinidade aquilo que é só meu.


- Vinicius Neves
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