21 de julho de 2017

Chester Bennington - Da depressão ao Linkin Park. Do Linkin Park à depressão.


Mais um para a lista em que a depressão, os problemas, os traumas, o mundo faz com que haja a desistência e a solução mais rápida é tomada.

Ontem li a notícia em que todos estão prestando atenção: Chester Bennington, vocalista do Linkin Park é encontrado morto, possivelmente suicídio causado por enforcamento.
O artista já tinha revelado pensar no suicídio pelos seus traumas (fora abusado quando criança) e seus problemas com drogas e álcool.

Já se perguntou o porque a incidência de suicídios é tão grande entre músicos - sobretudo seus vocalistas? Podemos pensar em muitas respostas para isso, mas certamente a maioria vai deixar lacunas vazias. Iremos começar a traçar um motivo à partir de seus resultados e não de suas causas primárias.
Particularmente, por ter tido minhas próprias experiências com depressão e tantos outros problemas no decorrer de meus quase trinta anos de idade, compreendo que uma pessoa com problemas em sua infância tende a se afundar mais em coisas que não prestam como crime, drogas, álcool, remédios e qualquer outro vício autodestrutivo.
Invariavelmente no meio dessa lama toda algo surge de bom: um artista.

Fazer música é um excelente método de colocar as ideias em ordem quando dentro de sua cabeça as vozes gritam tanto quanto gritava a voz de Chester.

O tempo passa e alguns desses guerreiros se tornam famosos. Encontram um pouco de conforto no reconhecimento, no dinheiro, no luxo. Mas isso nunca é o suficiente. O buraco a ser tapado dentro deles não pode ser preenchido por bens materiais.
Se não houver consciência plena de seus problemas, se não houver acompanhamento de familiares, amigos, se não houver tratamento e a força de trocar as escapatórias fáceis (como qualquer tipo de excessos) por coisas que nos façam bem; então dificilmente o fim da história será diferente.

Não vou mentir: cada vez que vejo um cara como Chester fraquejar e desistir para a depressão, a sombra que nos persegue parece que fica maior, mais nítida. Sim, bate um medo de eu chegar nesse ponto também.
Não vou citar tantos outros artistas que fizeram parte de nossas vidas - sobretudo nossa adolescência - e que se foram para sempre pelos males decorrentes da depressão.

Mas temos que ser fortes e seguir em frente. Todos os vivos já pensaram alguma vez em suas mortes, em aliviar o peso de algo que os estavam matando por dentro em algum momento.
Porém, todos temos escolhas - mesmo que tenhamos dificuldades em enxergá-las. Somos a evolução de nós mesmos todos os dias, sobrepondo os problemas e as derrotas que a vida nos apresenta.
Somos maiores e melhores de uma forma que só depois de tudo podemos olhar para trás e vermos o quão plena e ilimitada é nossa força. Hoje somos uma versão melhorada de nós mesmos do passado, e seremos melhores ainda nos próximos quilômetros de nossos caminhos.

Talvez esse seja o primeiro passo para nos encontrarmos de verdade: precisamos continuar acreditando nisso e mostrar que podemos quebrar o hábito de sermos tão frágeis.


- Vinicius Neves
Postar um comentário